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domingo, 5 de junho de 2016

Canonização do fundador dos Padres Marianos


O Papa Francisco presidiu na manhã deste domingo (05/06) à Santa Missa com as canonizações de Estanislau de Jesus Maria (polonês) e Maria Isabel Hesselblad (sueca). 
Com a participação de milhares de fiéis na Praça São Pedro, em sua homilia o Pontífice entrelaçou a vida dos dois novos santos com as leituras do dia.
A primeira leitura e o Evangelho deste domingo apresentam, precisamente, dois sinais prodigiosos de ressurreição: o primeiro realizado pelo profeta Elias; o segundo, por Jesus. Nos dois casos, os mortos são filhos ainda muito novos de mulheres viúvas, os quais são devolvidos, vivos, às respectivas mães. Elias diz à viúva: «Dê-me o seu filho». Esta é uma palavra-chave, explicou o Papa, pois expressa a atitude de Deus face à nossa morte (em todas as suas formas). Ele não diz: «Fique com ela, vire-se!»; mas: «Dê-me a Mim».

Jesus não é um mago

Já no Evangelho, a ternura de Deus revela-se plenamente em Jesus. Ao ressuscitar o filho da viúva no cortejo fúnebre, Jesus pede para Si mesmo a nossa morte, para nos libertar e nos devolver à vida. “Ele não é um mago!, disse Francisco. É a ternura de Deus encarnada; Nele, atua a imensa compaixão do Pai.” Cristo, acrescentou o Papa, faz o mesmo com os pecadores: um a um, Jesus não cessa de fazer resplandecer a vitória da graça que dá a vida. Ele diz à Mãe-Igreja: “Dê-me os seus filhos”, que somos todos nós. Toma sobre Si os nossos pecados e nos devolve vivos à própria Igreja. “E isto acontece de maneira especial durante este Ano Santo da Misericórdia”, ressaltou o Pontífice, que prosseguiu:

Deus vence o sofrimento e a morte

“A Palavra de Deus que ouvimos nos conduz para o acontecimento central da fé: a vitória de Deus sobre o sofrimento e a morte. É uma Palavra que nos chama a permanecer intimamente unidos à paixão de Jesus, para que se manifeste em nós o poder da sua ressurreição.” Esta foi também a experiência de Estanislau de Jesus Maria e de Maria Isabel Hesselblad, que hoje são proclamados Santos: permaneceram intimamente unidos à paixão de Jesus e, neles, manifestou-se o poder da sua ressurreição.

Angelus

Ao final da celebração, antes de rezar com os fiéis a oração mariana do Angelus, o Papa Francisco agradeceu a presença das delegações oficiais da Polônia (guiada pelo Presidente da República),e da Suécia, que vieram ao Vaticano para as canonizações. O Pontífice pediu a intercessão de Maria para que guie todos os fiéis no caminho da santidade e os ampare na construção, dia após dia, da justiça e da paz.


Padre Stanislaw Papczynski repetia sempre que desejosos da misericórdia de Deus, devemos testemunhá-la sempre nas relações com os outros”, recordam os bispos poloneses na Carta Pastoral divulgada antes da canonização do novo santo proveniente da Polônia. Esta graça da canonização acontecerá neste domingo, 5 de junho, na Praça São Pedro. A cerimônia será transmitida pela Rádio Vaticano, com comentários em português, a partir das 5h20min, horário de Brasília. “A cerimônia constitui – prosseguem os prelados – o convite para acolher novamente a Divina Misericórdia e a renovar a graça recebida no santo batismo, respondendo ao amor gratuito de Deus com o nosso amor por Ele e a misericórdia em relação aos vivos e aos defuntos”. João Papczyński, nasceu em Podegrodzie, na Polônia, em 18 de maio de 1631. Ao perceber os sinais da vocação à vida consagrada, ingressou no Instituto dos Escolápios. Foi ordenado sacerdote em 1661. Destacou-se como mestre de retórica, pregador e confessor. Dentre os penitentes que se dirigiam a ele, estava também o Núncio Apostólico na Polônia, Antonio Pignatelli, que se tornou Papa com o nome de Inocêncio XII. Fundou um novo instituto religioso, os Padres Marianos da Imaculada Conceição da Beata Virgem Maria, que promoveu o culto deste privilégio mariano singular. Incluiu entre as finalidades principais da congregação o sufrágio pelas almas do Purgatório, em particular as vítimas da guerra e da peste. Desde 1677, se estabeleceu perto da atual Góra Kalwaria. Ali desempenhou uma atividade apostólica intensa, também em favor das pessoas pobres do campo. Permaneceu sempre atento na observância da regra e se dedicou com afinco no governo do Instituto religioso. Seriamente enfermo, morreu em Góra Kalwaria em 17 de setembro de 1701, deixando muitos escritos de espiritualidade. Foi beatificado em 2007 pelo Papa Bento XVI.

Culto a Imaculada Conceição 
Padre Stanislaw Paczynski (1631 – 1701) – dedicando-se de maneira particular ao culto a Imaculada Conceição, 150 anos antes da proclamação do dogma – fundou em 1673 a primeira Ordem religiosa dos Padres Marianos na Polônia. Exemplo de cidadão Em 2011 o sacerdote foi reconhecido pelo Parlamento polonês como “exemplo de cidadão, cuja ação foi movida pelo profundo amor pela própria pátria”. Exemplo de vida e intercessor Os bispos poloneses, recordando o valor da dedicação ao próprio país de Padre Papczynski, observam que “Deus desperta incessantemente novos testemunhos em um dado lugar e em um tempo definido, que ajudam os homens a acolher o Evangelho e a vivê-lo na cotidianidade” e que “com a sua canonização a Igreja proclama que os novos santos são autênticos exemplos de vida e intercessores diante de Deus”.

Maria Isabel Hesselblad nasceu em Fåglavik (Suécia) em 4 de junho de 1870 numa família luterana. Desde menina, ouvindo as palavra do Evangelho com as quais Jesus indicava aos seus discípulos “Um só rebanho, um só pastor”, começou a refletir sobre a unidade da Igreja. Aos 18 anos, para ajudar a família numerosa imigrou para os Estados Unidos em busca de trabalho. Naquele ambiente entrou em contato com os católicos e iniciou o seu caminho de aproximação à Igreja Católica, na qual foi batizada em 1902. Por causa do retorno de uma doença que teve na infância, esteve próxima à morte. Desejando morrer na Casa de Santa Brígida da Suécia, em Roma, transferiu-se para a Cidade Eterna, onde sentindo os sinais da vocação à vida religiosa proferiu os votos como brigidina. Em Roma, recebeu três aspirantes inglesas, com as quais iniciou uma nova fundação: a Ordem do Santíssimo Salvador de Santa Brígida. Animada por um espírito missionário intenso e zeloso pela unidade dos cristãos, a nova santa se destacou por sua caridade generosa para com os pobres durante a II Guerra Mundial, recebendo reconhecimentos por parte de autoridades e cidadãos. Em 24 de abril de 1957 morreu em Roma, oferecendo a sua vida pela unidade dos cristãos. Durante o Grande Jubileu do ano 2000, foi beatificada pelo Papa João Paulo II.

Fonte: Radio Vaticano

quarta-feira, 13 de março de 2013

Habemus Papam, Francisco I


Annuntio vobis gaudium magnum;
habemus Papam:

Eminentissimum ac Reverendissimum Dominum,
Dominum Georgium Marium
Sanctae Romanae Ecclesiae Cardinalem Bergoglio
qui sibi nomen imposuit Franciscum


EM PORTUGUÊS 

Anuncio-vos uma grande alegria;
Temos um Papa:
O eminentíssimo e reverendíssimo Senhor,
Dom Jorge Mario,
Cardeal da Santa Igreja Romana BERGOGLIO,
Que se impôs o nome de Francisco.

Atque MISERANDO eligendo

Jesus viu um homem chamado Mateus, sentado na mesa para a cobrança de impostos, e disse: "Siga-me". Eu vi mais com o olhar interior, de amor com os olhos corporais. Jesus viu o publicano, e viu-o com misericórdia e escolhê-lo, (miserando atque eligendo) Siga-me e disse: "Siga-me", que significa "Espelho-me." Ele disse: "Siga-me", em vez de através de seus ritmos, com a sua forma de trabalhar. Para ele diz que está sempre em Cristo deve andar como ele andou continuamente.
San Beda el Venerable, presbítero; Homilía 21
· Membro da Congregação para o Culto Divino ea Disciplina dos Sacramentos. 
· Membro da Congregação para o Clero. 
· Membro da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica.
· Membro da Presidência Pontifício Conselho para a Família. 
· Pós-sinodal Membro do Conselho. 
· Diretor da Pontifícia Comissão para a América Latina. 
· Presidente da Comissão Episcopal para a Universidade Católica da Argentina. 
· Chanceler da Universidade Católica Argentina. 
. Moderador do Tribunal Eclesiástico Nacional de segunda instância.
. Tribunal Interdiocesano Bonaerense moderador.
Nasceu em Buenos Aires, em 17/12/1936, ordenado em 13/12/1969, João Paulo II nomeou-o Bispo titular de Auca y Auxiliar de Buenos Aires, em 20/05/1992, Bispo Consagrada 27/06/1992 Buenos Aires, Área Vigário Episcopal Flores (1992/06/07), Vigário Geral da Arquidiocese de Buenos Aires (1993/12/21), Nomeado pelo Papa João Paulo II Arcebispo Coadjutor de Buenos Aires ( 1997/03/06), assume como arcebispo de Buenos Aires (1998/02/28), Criado cardeal pelo Papa João Paulo II no consistório de 21 de fevereiro de 2001, sob o título de São Roberto Belarmino.
Fonte: http://www.arzbaires.org.ar/inicio/Arzobispo.html





Bênção Apostólica "Urbi et Orbi":

Irmãos e irmãs, boa-noite!

Vós sabeis que o dever do Conclave era dar um Bispo a Roma. Parece que os meus irmãos Cardeais tenham ido buscá-lo quase ao fim do mundo… Eis-me aqui! Agradeço-vos o acolhimento: a comunidade diocesana de Roma tem o seu Bispo. Obrigado! E, antes de mais nada, quero fazer uma oração pelo nosso Bispo emérito Bento XVI. Rezemos todos juntos por ele, para que o Senhor o abençoe e Nossa Senhora o guarde.

[Recitação do Pai Nosso, Ave Maria e Glória ao Pai]

E agora iniciamos este caminho, Bispo e povo... este caminho da Igreja de Roma, que é aquela que preside a todas as Igrejas na caridade. Um caminho de fraternidade, de amor, de confiança entre nós. Rezemos sempre uns pelos outros. Rezemos por todo o mundo, para que haja uma grande fraternidade. Espero que este caminho de Igreja, que hoje começamos e no qual me ajudará o meu Cardeal Vigário, aqui presente, seja frutuoso para a evangelização desta cidade tão bela!

E agora quero dar a Bênção, mas antes… antes, peço-vos um favor: antes de o Bispo abençoar o povo, peço-vos que rezeis ao Senhor para que me abençoe a mim; é a oração do povo, pedindo a Bênção para o seu Bispo. Façamos em silêncio esta oração vossa por mim.

[…]

Agora dar-vos-ei a Bênção, a vós e a todo o mundo, a todos os homens e mulheres de boa vontade.

[Bênção]

Irmãos e irmãs, tenho de vos deixar. Muito obrigado pelo acolhimento! Rezai por mim e até breve! Ver-nos-emos em breve: amanhã quero ir rezar aos pés de Nossa Senhora, para que guarde Roma inteira. Boa noite e bom descanso!

Fonte: http://www.vatican.va/holy_father/francesco/elezione/index_po.htm

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Sedes Vacans

  A Igreja de Cristo olha com atenção para Roma, na esperança de um líder honrado como seus antecessores.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Discurso do Papa no Consistório sobre datas de canonizações em que anunciou a renúncia






"Queridíssimos Irmãos, 



Convoquei-vos para este Consistório, não apenas por causa das três canonizações, mas também para vos comunicar uma decisão de grande importância para a vida da Igreja. 

Depois de examinar reiteradamente a minha consciência perante Deus, cheguei à certeza de que, pela idade avançada, já não tenho forças para exercer adequadamente o ministério de Pedro (petrino). Sou consciente de que este ministério, pela sua natureza espiritual, deve ser levado a cabo não apenas por obras e palavras mas também, em menor grau, através do sofrimento e da oração. 

No mundo atual, sujeito a rápidas transformações e sacudido por questões de grande relevância para a vida da Fé, para governar a barca de S. Pedro e anunciar o Evangelho é necessário também vigor, tanto do corpo como do espírito. Vigor que, nos últimos meses, diminuiu em mim de forma que tenho de reconhecer a minha capacidade para exercer de boa forma o ministério que me foi encomendado. 

Por isso, sendo consciente da seriedade deste ato, e em plena liberdade, declaro que renuncio ao ministério de Bispo de Roma, sucessor de S. Pedro, que me foi confiado pelos cardeais no dia 19 de abril de 2005. De forma que, a partir do dia 28 de fevereiro de 2013, às 20:00 (19:00 em Lisboa), a sede de Roma, a sede de S. Pedro vai ficar vaga e deverá ser convocada, através daqueles que têm competências, o Conclave para a eleição do novo Sumo Pontífice. 

Queridíssimos irmãos, dou-vos as graças de coração por todo o amor e trabalho com que trouxeram até mim o peso do meu ministério e peço perdão por todos os meus defeitos. 

Agora, confiamos a Igreja ao cuidado do Sumo Pastor, Nosso Senhor Jesus Cristo e suplicamos a Maria, sua Santa Mãe, que assista com a sua materna bondade aos padres cardeais ao eleger o novo Sumo Pontífice. Pelo que me diz respeito, também no futuro, quero servir com todo o meu coração à Santa Igreja de Deus com uma vida dedicada à oração. 

Vaticano, 10 de fevereiro de 2013"

quinta-feira, 19 de abril de 2012

7 anos de Pontificado Bento XVI







           Em 19 de abril de 2005 um Conclave reunido em Roma escolheu o 266º dos Vigários de Nosso Senhor Jesus Cristo a governar a Igreja Católica. Desde o Vaticano, subindo por uma chaminé, uma fumaça branca marcava o céu azul romano e indicava "para a cidade e para o mundo" que havia sido eleito o sucessor do pranteado Papa João Paulo II. O escolhido havia sido o Cardeal Joseph Ratzinger que passaria a dirigir a Barca de Pedro com o nome de Benedictus PP. XVI.
Ele estava com 78 anos e três dias de idade, tendo nascido a 16 de abril de 1927, em Marktl am Inn, no sudeste da Baviera.

"Não tenhas medo"
Não é uma tarefa fácil ser o Sumo Pontífice, ser o Pastor que apascenta o rebanho da Igreja como Vigário de Jesus Cristo. É necessária uma graça especial para ter a coragem de enfrentar as dificuldades e responsabilidades que cairão de imediato sobre os ombros do novo "timoneiro". Sem dúvida, a proteção dos céus tem que ser constante.
E, a julgar pelas palavras de sua primeira mensagem, no final da Celebração Eucarística com os cardeais eleitores na Capela Sistina, em 20 de abril de 2005, Bento XVI tinha isso bem colocado em sua alma: "considero este fato uma graça especial que me foi obtida pelo meu venerado Predecessor, João Paulo II. Tenho a impressão de sentir a sua mão forte que estreita a minha; parece que vejo os seus olhos sorridentes e que ouço as suas palavras, dirigidas neste momento particularmente a mim: "Não tenhas medo!"
Mane nobiscum, Domine!
"Esta invocação (...) é a oração que brota espontânea do meu coração, enquanto me preparo para iniciar o ministério ao qual Cristo me chamou. Como Pedro, (...) Lhe renovo a minha incondicionada promessa de fidelidade. Ele é o único que pretendo servir dedicando-me totalmente ao serviço da sua Igreja", afirmou naquela ocasião Bento XVI.
E continuou o Papa: " Para amparar esta promessa invoco a intercessão materna de Maria Santíssima, em cujas mãos confio o presente e o futuro da minha pessoa e da Igreja. Intervenham com a sua intercessão também os Santos Apóstolos Pedro e Paulo e todos os Santos."
Roteiro da Barca
Hoje, passados sete anos, os fatos vividos no Pontificado de Bento XVI mostram que a Barca de Pedro sulcou mares calmos, mares bravios, enfrentou borrascas e calmarias. Porém, esse pouco espaço de tempo já deixa seu rastro na história.
Uma história de um Papa idoso, de ânimo jovem. História vivida com humildade e altaneria, com sabedoria e sensatez, sem desânimos e precipitações. Uma história ainda recente, plena de paciência e firmeza, desejos e contemporizações, alimentada com verdade e Fé.
Ide e evangelizai...
De todos os Papas, Bento XVI figura como o sexto que, mesmo em avançada idade, governaram a Igreja. Ao chegar aos 85 anos ele ficará entre os quatro mais idosos que exerceram a atividade pontifícia.
"Ide e ensinai a todos os povos", recomenda o Senhor.
Em certa ocasião, Bento XVI afirmou que "o mundo considera afortunado quem vive prolongadamente, mas Deus, mais que a idade, visa a retidão do coração".
A longevidade, portanto, não é empecilho para ele seguir esse conselho evangélico. Em todas as viagens que Bento XVI tem realizado, ele transmite junto com seus seguros ensinamentos, admoestações e incentivos a imagem paternal do Soberano Pontífice. Deixa a figura do irmão maior que admira o menor, que compreende, afaga e alenta também os pequeninos.
Desse relacionamento especial para com o inferior nasce um sentimento de ternura. E isso leva a germinar no menor um sentimento de veneração para com aquele que é, em realidade, a suprema autoridade... que não esmaga.
É dessa forma de relacionamento que nasce na alma dos fiéis a disposição para o serviço da Igreja, a disposição para o sacrifício e até para o holocausto.
E esse é o fruto inestimável que a Igreja colhe com as viagens papais: evangelizar pelo enlevo, veneração e ternura.
# A primeira viagem que Bento XVI fez foi dentro da Itália. Uma Visita Pastoral a Bari (29 de maio de 2005) para a conclusão do XXIV Congresso Eucarístico Nacional, pouco mais de um mês depois de subir ao Trono Pontifício. Ele ainda fez mais 25 viagens pela península.
# Em sua viagem ao Brasil, eu vi Bento XVI passar no papamóvel. Parecia distante, sozinho... Não era verdade. Um adolescente ao meu lado também olhava para o Papa. De repente ele fez um sinal para o Pontífice. "Que audacioso", pensei.
O Papa sorriu para o rapaz e fez um grande sinal da cruz abençoando o jovem!
Nunca me esqueci desse fato. Tenho certeza que aquele olhar cheio de bondade acompanhado de um sorriso, uma cruz e uma bênção marcaram o jovem para sempre.
# Uma outra recordação me faz pensar no modo especial que o Papa, intelectual e várias vezes doutor, tem para atrair, conduzir, evangelizar. Pareceria ser ele frio, hirto, sem maleabilidades, "sem jeito": não é.
No avião que o conduzia para o Brasil, ele concedeu uma entrevista. Eram perguntas de todos os tipos. De repente, respondendo a um repórter, Bento XVI faz uma afirmação inesperada: "O Papa ama o Brasil!" Era o seu modo diferente de conquistar.
A pequena frase foi repetida pela mídia. Quando o Papa pisou a Terra de Santa Cruz, ao que pese as meras formalidades dos governantes, o povo dava mostras de que ele havia conquistado os brasileiros.
A frieza que parecia existir no "Papa alemão" era uma ilusão já desfeita: o Papa também era brasileiro e morava no coração de seus "conterrâneos".
Se percorrermos com ele suas 23 viagens internacionais, conheceremos uma constante que espanta a alguns: ele cativa todos.
E o número de pessoas que acompanham as visitas de Bento XVI cresce cada vez mais: Na última visita apostólica ao México, 3 milhões e meio de pessoas acompanharam o Papa. O número de visitantes que acorreu ao Estado Mexicano de Guanajuato foi de 777 mil pessoas.
A hora de ensinar: a razão e o coração
Não levando em conta idade, ocupações e saúde, Bento XVI cumpre rigorosamente um compromisso pastoral que impressiona.
São momentos de encontros semanais com o grande público. Momentos em que o Pastor dirige-se diretamente às ovelhas para ensiná-las com a razão e também com o coração.
Em 2011, para falarmos em números, 2.553.800 pessoas participaram de encontros com Bento XVI, e essa cifra baseia-se nos pedidos que foram feitos à Casa Pontifícia para se ter os bilhetes que garantem o ingresso a eventos que contarão com a presença do Papa.
Ao Ângelus que o Papa rezou nos domingos, na Praça de São Pedro, compareceram, aproximadamente, 1.206.000 pessoas. Nas celebrações litúrgicas oficiadas por Bento XVI no interior da Basílica Vaticana estiveram presentes 846.000 pessoas. Nas audiências gerais (catequese) das quartas-feiras, realizadas no interior da Sala Paulo VI, compareceram 400.000 pessoas. Nas chamadas audiências particulares, que são feitas a indivíduos ou a pequenos grupos, 101.800 pessoas viram e ouviram o Papa. (CNBB)
Bento XVI e a Juventude se entendem
O Papa Bento XVI, como seu antecessor João Paulo II, ama a juventude e deposita nos jovens suas esperanças. Para ele é necessário que seja realizada a "grande missão de evangelizar os jovens e as jovens, que andam errantes, como ovelha sem pastor", uma vez que "o amanhã (também do mundo) depende muito de como estais vivendo o hoje da juventude". (Pacaembu, 2007).
A primeira das viagens apostólicas de Bento XVI foi para encontrar-se com os jovens. Ele esteve presente na 20ª Jornada Mundial da Juventude, na cidade de Colônia (Alemanha), em de agosto de 2005, alguns meses após iniciar seu Pontificado. Enquanto Papa, foi o seu primeiro grande contato com a juventude. Nessa ocasião, ele encontrou-se e dirigiu-se a mais de 1 milhão de jovens oriundos de 20 países diferentes.
Três anos depois, em 2008, acompanhando a juventude em sua caminhada, o Papa viajou para longe. Ele esteve Sydney, foi participar da JMJ e estar ao lado de 500 mil jovens.
A presença de Bento XVI na Jornada Mundial da Juventude de Madrid, em 2011, reuniu em torno da pessoa dele 475.000 jovens, oficialmente inscritos. Eles vieram de 193 países e tornaram-se notícia para 5.000 jornalistas credenciados. Na noite da Vigília de Orações, no aeroporto madrilenho de Quatro Vientos, havia cerca de 2.000.000 de jovens.
A JMJ de 2013 será no Rio de Janeiro. Milhares de jovens acompanham a peregrinação que é realizada com os Símbolos da Jornada. O entusiasmo deles é grande. Sabendo que existe a promessa de que Bento XVI irá ao Rio de Janeiro durante o evento, milhares de moças e rapazes já se mostram ansiosos diante da perspectiva de poder "ir ver o Papa."
E por que Bento XVI conquistou a confiança da juventude? É certo que seu exemplo cativa. Porém, a chave para abrir esses jovens corações foram suas palavras pronunciadas em diferentes ocasiões, sempre fraternas e paternais. Nisso ele aplica os conselhos do Beato João Paulo II que afirmava: "o diálogo é de importância fundamental e essencial para um jovem» (Carta aos jovens, n. 2).
O Papa visitou Universidades, esteve em Liceus, recebeu caravanas de estudantes , enviou mensagens a congressos e jornadas e sempre que pode dialogou com a juventude.
Em mensagens de preparação para as JMJs, o Santo Padre escreveu frases como estas:
"Queridos jovens, gostaria de vos convidar a "ousar o amor", isto é, a não desejar nada para a vossa vida que seja inferior a um amor forte e belo, capaz de tornar toda a existência uma jubilosa realização da doação de vós próprios a Deus e aos irmãos, à imitação d'Aquele que mediante o amor venceu para sempre o ódio e a morte (cf. Ap 5, 13)."
"Queridos amigos, sede santos, sede missionários, porque nunca se pode separar a santidade da missão (cf.RM, 90). Não tenhais medo de ser santos missionários... Estai prontos a colocar em jogo a vossa vida, para iluminar o mundo com a verdade de Cristo; para responder com amor ao ódio e ao desprezo pela vida; e para proclamar em todos os cantos da terra a esperança de Cristo ressuscitado".
"Amados jovens, a Igreja conta convosco! Precisa da vossa fé viva, da vossa caridade e do dinamismo da vossa esperança. A vossa presença renova a Igreja, rejuvenesce-a e confere-lhe renovado impulso."
Caridade na Verdade - Verdade com Caridade
Nesses sete anos o Papa Bento XVI concedeu audiências, fez discursos e homilias, compôs Orações, Exortações Apostólicas, Mensagens, Motu Próprio, redigiu Cartas Apostólicas e inúmeras missivas de diversos teores, elaborou Constituições Apostólicas, além de escrever três Encíclicas.
Foram milhares de páginas que, postas em vários idiomas, alcançaram as mais diferentes culturas e mentalidades. Poderíamos dizer que uma biblioteca já foi escrita. Em cada página a Verdade foi transmitida com muita ciência e profundidade mas, também com Caridade, amor, desejando fazer o bem, levando a esperança.
Às vezes, bastam os títulos dos documentos para que essa afirmação seja comprovada. Em 2005, Bento XVI escreveu, no dia de Natal, a Encíclica "Deus Caritas est" (Deus é amor); seguida de uma outra, em 2007, a "Spe Salvi" (Na Esperança é que fomos salvos). A terceira Encíclica veio a lume em 2009. Seu nome é "Caritas in veritate" (A Caridade na Verdade).
Assim, foram escritas, até agora, três Encíclicas. Em todas, mesmo enquanto falando aos homens, seus olhos estão postos em Deus. Trata de assuntos teológicos tendo em vista a condução do particular e do social, dando ênfase ao Amor de Deus, à Verdade e à Esperança, à beleza.
Os nomes desses documentos descortinam um mar de horizonte largo. Horizonte que só pode mesmo ser preenchido com palavras de vida eterna, nascidas de uma alma que as vive. Nessas Encíclicas, Bento XVI procura expressar o desejo do Vigário de Cristo, do Pastor, do Timoneiro e Guia da Barca de Pedro de ensinar a Verdade com Caridade, paternalmente. E, a bem da verdade, ele conseguiu isso.
Ano da Fé
Para coroar os sete anos de Pontificado de Bento XVI nada melhor do que lembrar um fato que ainda vai acontecer: Bento XVI decidiu proclamar um Ano da Fé. Ele terá seu início em 11 de Outubro de 2012 e vai até a Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo, a 24 de Novembro de 2013.
Na Carta Apostólica, sob forma de Motu Proprio, que foi denominada "Porta Fidei", o Papa aponta as justificativas da proclamação de um Ano da Fé. O perfil do Pai, Pastor, irmão e guia que deseja o bem do rebanho aparece esboçado nessas linhas do documento:
"Desde o princípio do meu ministério como Sucessor de Pedro, lembrei a necessidade de redescobrir o caminho da Fé para fazer brilhar, com evidência sempre maior, a alegria e o renovado entusiasmo do encontro com Cristo". (...) "Sucede, não poucas vezes, que os cristãos sintam maior preocupação com as conseqüências sociais, culturais e políticas da Fé do que com a própria Fé, considerando esta como um pressuposto óbvio da sua vida diária."
"Enquanto, no passado, era possível reconhecer um tecido cultural unitário, amplamente compartilhado no seu apelo aos conteúdos da Fé e aos valores por ela inspirados, hoje parece que já não é assim em grandes sectores da sociedade devido a uma profunda crise de Fé que atingiu muitas pessoas."
E o Papa continua em seu Motu Proprio: "Devemos readquirir o gosto de nos alimentarmos da Palavra de Deus, transmitida fielmente pela Igreja, e do Pão da vida, oferecidos como sustento de quantos são seus discípulos (cf. Jo 6, 51). De fato, em nossos dias ressoa ainda, com a mesma força, este ensinamento de Jesus: "Trabalhai, não pelo alimento que desaparece, mas pelo alimento que perdura e dá a vida eterna" (Jo 6, 27). E a questão, então posta por aqueles que O escutavam, é a mesma que colocamos nós também hoje: "Que havemos nós de fazer para realizar as obras de Deus?" (Jo 6, 28). Conhecemos a resposta de Jesus: "A obra de Deus é esta: crer n'Aquele que Ele enviou" (Jo6, 29).
Por isso, crer em Jesus Cristo é o caminho para se poder chegar definitivamente à salvação. Concluiu Bento XVI.
Quem é Pai, é solidário!
No Pontificado de Bento XVI, ninguém foi esquecido por ele: Na dor, nas epidemias, nas catástrofes naturais, em doenças ou desastres, nos cárceres...
Por ocasião do terremoto que atingiu a região dos Abruzos, Bento XVI lá esteve (28 de abril de 2009) para visitar os flagelados e dar-lhes o consolo espiritual da Igreja, alento e estímulo. São dele essas palavras ditas por ocasião dessa visita: "Todas as vítimas desta catástrofe, estão no meu coração: crianças, jovens, adultos, idosos, abruzenses e de outras regiões da Itália e também de diversas nações". Vi "de perto o coração ferido desta cidade".
E o Papa ainda rezou na cidade arrasada: "Ó Maria, nossa Mãe amadíssima! Tu, que estás perto das nossas cruzes, como permaneceste ao lado daquela de Jesus, apóia a nossa Fé, para que mesmo enfraquecidos pela dor, conservemos o olhar fixo na face de Cristo o qual, durante o extremo sofrimento da cruz, mostrou o amor imenso e puro de Deus."
Acontece um tsunami, vidas se perdem num desabamento, mineiros ficam soterrados, enfermidades se alastram? A dor se espalha e o desespero acabrunha? Nesta hora a voz solidária de Bento XVI é ouvida. E foi sempre assim nesses sete anos: "onde sofre o irmão ele está sofrendo nele".
Como Hospitais e Casa de Saúde de várias localidades, as prisões de Roma vêem sempre Bento XVI praticar a obra de misericórdia de visitar os enfermos e encarcerados.
Ainda há pouco, o Papa ganhou um ovo de Páscoa. Havia sido preparado com 250 quilos de chocolate e tinha 2 metros e meio de altura! No domingo da Ressurreição, Bento XVI enviou-o como presente aos detentos de uma prisão juvenil, em Roma, desejando-lhes uma Feliz e... Santa Páscoa.
Se esses jovens tivessem tido um pai assim, provavelmente seus destinos seriam outro.
Solidariedade envolve sentimentos, algo inteiramente espiritual. Mas envolve também ajuda material. E a ajuda em bens e moedas que Bento XVI enviou aos flagelados da seca do Norte da África e para outras catástrofes climáticas pelo mundo afora, foram as maiores já enviadas pela Santa Sé. Um recorde alcançado sem alardes.
Sete anos se passaram...
Ao ver o caminho percorrido, fica-se confuso: são muitas realizações. Fica-se admirado: é muita responsabilidade nos ombros de um "Timoneiro". A Barca é frágil, o mar é tormentoso.
Mesmo na borrasca --e sobretudo nela-- é para o olhar do Timoneiro que milhões de olhos se voltam: aflitos, esperançosos, confiantes.
Da orientação do Timoneiro depende o acerto na jornada. Ele é o farol, o guia. Ele tem que ser sábio e santo.
Em sete anos de caminhada, Bento XVI já andou muito...
Por João Sérgio Guimarães


terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Papa divulga mensagem pelo 46º Dia Mundial das Comunicações

Silêncio e palavra: caminho de evangelização


Amados irmãos e irmãs,

Ao aproximar-se o Dia Mundial das Comunicações Sociais de 2012, desejo partilhar convosco algumas reflexões sobre um aspecto do processo humano da comunicação que, apesar de ser muito importante, às vezes fica esquecido, sendo hoje particularmente necessário lembrá-lo. Trata-se da relação entre silêncio e palavra: dois momentos da comunicação que se devem equilibrar, alternar e integrar entre si para se obter um diálogo autêntico e uma união profunda entre as pessoas. Quando palavra e silêncio se excluem mutuamente, a comunicação deteriora-se, porque provoca um certo aturdimento ou, no caso contrário, cria um clima de indiferença; quando, porém se integram reciprocamente, a comunicação ganha valor e significado.
O silêncio é parte integrante da comunicação e, sem ele, não há palavras densas de conteúdo. No silêncio, escutamo-nos e conhecemo-nos melhor a nós mesmos, nasce e aprofunda-se o pensamento, compreendemos com maior clareza o que queremos dizer ou aquilo que ouvimos do outro, discernimos como exprimir-nos. Calando, permite-se à outra pessoa que fale e se exprima a si mesma, e permite-nos a nós não ficarmos presos, por falta da adequada confrontação, às nossas palavras e ideias. Deste modo abre-se um espaço de escuta recíproca e torna-se possível uma relação humana mais plena. É no silêncio, por exemplo, que se identificam os momentos mais autênticos da comunicação entre aqueles que se amam: o gesto, a expressão do rosto, o corpo enquanto sinais que manifestam a pessoa. No silêncio, falam a alegria, as preocupações, o sofrimento, que encontram, precisamente nele, uma forma particularmente intensa de expressão. Por isso, do silêncio, deriva uma comunicação ainda mais exigente, que faz apelo à sensibilidade e àquela capacidade de escuta que frequentemente revela a medida e a natureza dos laços. Quando as mensagens e a informação são abundantes, torna-se essencial o silêncio para discernir o que é importante daquilo que é inútil ou acessório. Uma reflexão profunda ajuda-nos a descobrir a relação existente entre acontecimentos que, à primeira vista, pareciam não ter ligação entre si, a avaliar e analisar as mensagens; e isto faz com que se possam compartilhar opiniões ponderadas e pertinentes, gerando um conhecimento comum autêntico. Por isso é necessário criar um ambiente propício, quase uma espécie de «ecossistema» capaz de equilibrar silêncio, palavra, imagens e sons.
Grande parte da dinâmica actual da comunicação é feita por perguntas à procura de respostas. Os motores de pesquisa e as redes sociais são o ponto de partida da comunicação para muitas pessoas, que procuram conselhos, sugestões, informações, respostas. Nos nossos dias, a Rede vai-se tornando cada vez mais o lugar das perguntas e das respostas; mais, o homem de hoje vê-se, frequentemente, bombardeado por respostas a questões que nunca se pôs e a necessidades que não sente. O silêncio é precioso para favorecer o necessário discernimento entre os inúmeros estímulos e as muitas respostas que recebemos, justamente para identificar e focalizar as perguntas verdadeiramente importantes. Entretanto, neste mundo complexo e diversificado da comunicação, aflora a preocupação de muitos pelas questões últimas da existência humana: Quem sou eu? Que posso saber? Que devo fazer? Que posso esperar? É importante acolher as pessoas que se põem estas questões, criando a possibilidade de um diálogo profundo, feito não só de palavra e confrontação, mas também de convite à reflexão e ao silêncio, que às vezes pode ser mais eloquente do que uma resposta apressada, permitindo a quem se interroga descer até ao mais fundo de si mesmo e abrir-se para aquele caminho de resposta que Deus inscreveu no coração do homem.
No fundo, este fluxo incessante de perguntas manifesta a inquietação do ser humano, sempre à procura de verdades, pequenas ou grandes, que dêem sentido e esperança à existência. O homem não se pode contentar com uma simples e tolerante troca de cépticas opiniões e experiências de vida: todos somos perscrutadores da verdade e compartilhamos este profundo anseio, sobretudo neste nosso tempo em que, «quando as pessoas trocam informações, estão já a partilhar-se a si mesmas, a sua visão do mundo, as suas esperanças, os seus ideais» (Mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais de 2011).
Devemos olhar com interesse para as várias formas de sítios, aplicações e redes sociais que possam ajudar o homem actual não só a viver momentos de reflexão e de busca verdadeira, mas também a encontrar espaços de silêncio, ocasiões de oração, meditação ou partilha da Palavra de Deus. Na sua essencialidade, breves mensagens – muitas vezes limitadas a um só versículo bíblico – podem exprimir pensamentos profundos, se cada um não descuidar o cultivo da sua própria interioridade. Não há que surpreender-se se, nas diversas tradições religiosas, a solidão e o silêncio constituem espaços privilegiados para ajudar as pessoas a encontrar-se a si mesmas e àquela Verdade que dá sentido a todas as coisas. O Deus da revelação bíblica fala também sem palavras: «Como mostra a cruz de Cristo, Deus fala também por meio do seu silêncio. O silêncio de Deus, a experiência da distância do Omnipotente e Pai é etapa decisiva no caminho terreno do Filho de Deus, Palavra Encarnada. (...) O silêncio de Deus prolonga as suas palavras anteriores. Nestes momentos obscuros, Ele fala no mistério do seu silêncio» (Exort. ap. pós-sinodal Verbum Domini, 30 de Setembro de 2010, n. 21). No silêncio da Cruz, fala a eloquência do amor de Deus vivido até ao dom supremo. Depois da morte de Cristo, a terra permanece em silêncio e, no Sábado Santo – quando «o Rei dorme (…), e Deus adormeceu segundo a carne e despertou os que dormiam há séculos» (cfr Ofício de Leitura, de Sábado Santo) –, ressoa a voz de Deus cheia de amor pela humanidade.
Se Deus fala ao homem mesmo no silêncio, também o homem descobre no silêncio a possibilidade de falar com Deus e de Deus. «Temos necessidade daquele silêncio que se torna contemplação, que nos faz entrar no silêncio de Deus e assim chegar ao ponto onde nasce a Palavra, a Palavra redentora» (Homilia durante a Concelebração Eucarística com os Membros da Comissão Teológica Internacional, 6 de Outubro de 2006). Quando falamos da grandeza de Deus, a nossa linguagem revela-se sempre inadequada e, deste modo, abre-se o espaço da contemplação silenciosa. Desta contemplação nasce, em toda a sua força interior, a urgência da missão, a necessidade imperiosa de «anunciar o que vimos e ouvimos», a fim de que todos estejam em comunhão com Deus (cf. 1 Jo 1, 3). A contemplação silenciosa faz-nos mergulhar na fonte do Amor, que nos guia ao encontro do nosso próximo, para sentirmos o seu sofrimento e lhe oferecermos a luz de Cristo, a sua Mensagem de vida, o seu dom de amor total que salva.
Depois, na contemplação silenciosa, surge ainda mais forte aquela Palavra eterna pela qual o mundo foi feito, e identifica-se aquele desígnio de salvação que Deus realiza, por palavras e gestos, em toda a história da humanidade. Como recorda o Concílio Vaticano II, a Revelação divina realiza-se por meio de «acções e palavras intimamente relacionadas entre si, de tal modo que as obras, realizadas por Deus na história da salvação, manifestam e confirmam a doutrina e as realidades significadas pelas palavras; e as palavras, por sua vez, declaram as obras e esclarecem o mistério nelas contido» (Const. dogm. Dei Verbum, 2). E tal desígnio de salvação culmina na pessoa de Jesus de Nazaré, mediador e plenitude da toda a Revelação. Foi Ele que nos deu a conhecer o verdadeiro Rosto de Deus Pai e, com a sua Cruz e Ressurreição, nos fez passar da escravidão do pecado e da morte para a liberdade dos filhos de Deus. A questão fundamental sobre o sentido do homem encontra a resposta capaz de pacificar a inquietação do coração humano no Mistério de Cristo. É deste Mistério que nasce a missão da Igreja, e é este Mistério que impele os cristãos a tornarem-se anunciadores de esperança e salvação, testemunhas daquele amor que promove a dignidade do homem e constrói a justiça e a paz.
Palavra e silêncio. Educar-se em comunicação quer dizer aprender a escutar, a contemplar, para além de falar; e isto é particularmente importante paras os agentes da evangelização: silêncio e palavra são ambos elementos essenciais e integrantes da acção comunicativa da Igreja para um renovado anúncio de Jesus Cristo no mundo contemporâneo. A Maria, cujo silêncio «escuta e faz florescer a Palavra» (Oração pela Ágora dos Jovens Italianos em Loreto, 1-2 de Setembro de 2007), confio toda a obra de evangelização que a Igreja realiza através dos meios de comunicação social.

Vaticano, 24 de Janeiro – dia de São Francisco de Sales – de 2012.

BENEDICTUS PP XVI